ED1 Educação e Comunicação
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| Professor: Refletir e Ressignificar as Práticas |
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| Anizia Gonçalves | |||
| ••Sex•, 12 de •Dezembro• de 2008 03:10• | |||
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Analisando o cenário atual da aprendizagem e ensino percebe-se que a exigência em relação às competências e habilidades do professor se torna cada vez mais freqüente/constante, dado que este é a figura propulsora na sistematização do conhecimento na construção e formação humana. A aplicabilidade das práticas e vivências funciona como instrumento essencial no curso dos acontecimentos nos diversos aspectos da construção de saberes. A informação tem chegado rápida e está disponível para todas as pessoas. Com isso, é dado ao professor o papel de, além de ensinar, analisar, no espaço escolar, as informações veiculadas na sociedade, selecionando-as, filtrando-as e organizando-as para relacioná-las ao conhecimento pessoal, social e científico. Para desempenhar este papel de forma eficiente e eficaz, o professor precisa criar espaços, criando basicamente oportunidades de participação efetiva do educando no processo educativo, na construção de caminhos para o desenvolvimento pessoal e social de ambos, para que o trabalho educativo de criar espaços seja melhor compreendido, bem aceito e bem experimentado é necessário refletir sobre três pontos essenciais: - o educador como líder; - o educador como organizador; - o educador como criador de acontecimentos.
O educador como líder age com diretividade democrática onde este, é o pólo direcionador da ação, dando ao educando a oportunidade de manifestar-se, de influenciar no curso dos acontecimentos, de ser ouvido, de participar da formulação de objetivos.
O educador como organizador desenvolve um trabalho essencialmente ético, a competência técnica do educador como organizador dos conteúdos, do tempo, do espaço, das pessoas e dos métodos e recursos pedagógicos é uma atividade ética, representa grande desempenho humano, capaz de exercer influência sobre o curso de uma vida, ainda em seu começo. Esta é uma grande responsabilidade da qual não podemos nos afastar, razão pela qual, quando escolhemos esse ou aquele método de trabalho, não está se fazendo apenas escolha de um método de atuação – esta fazendo uma escolha de si mesmo, enquanto educador, ser humano e cidadão, ou seja, essa escolha é política, ética e é a nossa postura diante dos fatos.
O educador como criador de acontecimentos admite o poder da capacidade e iniciativa de criar caminhos e nos chama cada vez mais a razão no sentido de que a atividade do professor não pode ficar restrita a docência. A atividade deste deve extrapolar a aula. A Conferência de Jomtien- Tailândia- 1990- nos deixou o grande desafio de ampliar os meios e o raio de ação da educação básica, ou seja, o raio de ação significa extrapolar o ambiente da sala de aula como espaço de educação, daí a necessidade das práticas e vivências na organização do trabalho e do cotidiano escolar. A educação é uma oficina em que o educador-educando trabalham uma relação capaz de resultar em instrumentos que possibilitem ao educando a sua capacidade de comprometer-se consigo mesmo e com os outros. Para que o educador possa realmente ser um estruturador do processo educativo, destacamos três níveis de organização desse processo: - a organização das bases materiais; - a organização das relações; - a organização da representação do processo na consciência do educador e do educando.
A organização das bases materiais do processo O parque escolar, enquanto estrutura física e os materiais usados no processo educativo é a “ intenção materializada” do curso dos acontecimentos no espaço pedagógico. Este, portanto, é o primeiro passo para realizar um trabalho educativo e criterioso, articulado com as crianças e adolescentes. Não se trata de simples “arrumação da casa”. A organização da infra-estrutura do processo educativo exige do educador um entendimento maduro da base material e da concepção educativa que preside na sua instituição. Isto é a apropriação pedagógica dos espaços e utensílios existentes na comunidade educativa.
A organização das relações no interior do espaço A criação de espaços de participação, a alavancagem de processos que dão coesão à comunidade educativa em torno de objetivos e metas de caráter coletivo, as formas de auto e co-gestão, a definição de regimento da escola, a divisão do trabalho, as comunidades, a estruturação de eventos cívicos, religiosos, esportivos, artísticos e culturais, a definição do conjunto de oportunidades educativas, a busca e a criação de opções para o uso do tempo livre, isso são formas que, a cada momento, o esforço de organização da comunidade educativa vai assumindo. Portanto o educador precisa cada vez se organizar para está pronto para combater o egoísmo, a dispersão anárquica, a exploração dos grandes, dos fortes e dos espertos sobre os pequenos, fracos e ingênuos, de modo que comece a ultrapassar os particularismos de seu interesse individual e a postura personalista, para integrar-se num educador coletivo subjetivo e objetivamente estruturado para compreender a ação educativa.
A organização da representação do processo educativo na consciência do educador e do educando. Aqui vamos tratar da dialética das palavras e pensamentos e poderíamos chamar de “o encontro das consciências”. Nesse terreno, nosso primeiro cuidado é não segmentar o educando de sua circunstância. É buscar no seu contexto pessoal, interpessoal e social, no sentido mais amplo, os temas capazes de evocar o conteúdo de suas vivências e experiências para que, com base nelas, ele seja capaz de construir a representação de si mesmo e do mundo que vai orientar sua caminhada e guiar suas escolhas. Para assumir seu papel neste processo, o educador precisa exercitar-se no que chamamos de dialética proximidade-distanciamento. Pela proximidade, procurará vivenciar o mais de perto possível as circunstâncias pessoais e sociais de seus educandos; pelo distanciamento, afastar-se no plano do pensamento crítico e autocrítico, para perceber “como os seus atos se inscrevem na concatenação dos acontecimentos“ . Essa postura exigirá sempre disciplina de contestação e despojamento. Considerando a importância do diálogo, mais do que uma condição, um produto do processo educativo, o momento em que esta relação assume em grau mais elevado o caráter de relação propriamente humana. As responsabilidades do educador são imensas e complexas, líder, organizador, criador, daí ser necessária atenção, dedicação e constante inserção no processo educativo, na sala de aula e fora dela. Enfrentar tamanho desafio, de forma planejada e democrática, é o caminho de todos que querem ser reconhecidos como verdadeiros educadores. Este é o desafio do educador, daquele que deseja ser um criador de acontecimentos, um condutor do processo educativo, um eterno aprendiz e um incansável mestre.
Referência Bibliográfica COSTA, ANTONIO CARLOS GOMES DA. O professor como educador: um resgate necessário e urgente. Salvador: Fundação Luis Eduardo Magalhães, 2001. COSTA, ANTONIO CARLOS GOMES DA. Protagonismo juvenil. Salvador: Fundação Odebrecht, 2000. COSTA, ANTONIO CARLOS GOMES DA. Pedagogia da presença. CBIA, 1992; Modus Faciendi, 1999. COSTA, ANTONIO CARLOS GOMES DA. Encontros e travessias – o adolescente diante de si mesmo e do mundo. Belo Horizonte: IAS7Modus Faciendi, 1999. COSTA, ANTONIO CARLOS GOMES DA. Educação e vida – um guia para adolescente. Belo Horizonte: Modus Faciendi, 1998. TORO, JOSÉ BERNARDO. “ Códigos da Modernidade “. Tradução e adaptação de Antonio Carlos Gomes da Costa. Porto Alegre: Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho, 1998. DELORS, JACQUES ET ALLI.Educação, um tesouro a descobrir. 2ª.ed. Lisboa: Asa/UNESCO, 1996. SAVIANI. DEMERVAL. A nova lei da educação – LDB: trajetórias, limites e perespectivas. s.1., Autores Associados (coleção educação Contemporânea), s.d. GASTALDI, ÍTALO. Educar e evangelizar na pós-modernidade. São Paulo: Salesiana Dom Bosco, 1994. Estatuto da Criança e do Adolescente; estudos sócio-jurídicos. Rio de Janeiro: Editora renovar, 1990
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